CONSCIÊNCIA NEGRA 2022- COLÉGIO ESTADUAL JOÃO BENEVIDES NOGUEIRA
Para iniciar, vamos tratar
sobre a competência geral Nº 9 da
Educação Básica, constante na Base Nacional Comum Curricular -BNCC: “Exercitar
a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação,fazendo-se
respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com
acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais,
seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza”.
Todo o trabalho foi pautado no que concerne a BNCC.
Antecedendo as apresentações, se faz necessário registrar que muitos pesquisadores consideram o continente africano como o “berço da Matemática”, pois,além dos diferentes padrões elaborados por povos africanos, um osso petrificado, chamado de osso de Ishango, encontrado entre Congo e Uganda, na década de 1950, indica que grupos humanos possuíam pensamento matemático há mais de 20 mil anos.
Agora, com base nas propostas
relativas aos Projetos Integradores, construiu-se um diálogo entre a área
de Ciências
Humanas e Sociais Aplicadas com a área de Matemática e suas tecnologias, no que tange o tema Consciência Negra, e nessa perspectiva
a Matemática tem aporte teórico da Etnomatemática,
que segundo Ubiratan D’Ambróso é a matemática praticada por grupos culturais. Ramo de estudo que reconhece como cada povo
desenvolve sua técnica matemática, levando em conta o contexto sociocultural.
Todos os
trabalhos aqui apresentados, estarão diretamente ligados a ETNOMATEMÁTICA, através das apresentações de danças, coreografias,
exposições de dados estatísticos e as oficinas relacionadas com a confecção da
boneca Abayomi, ao jogo africano QUEAH e a arte de fazer acarajé.
Esses
trabalhos comungam com a Lei Nº 10.639/03 de inclusão de história e cultura afro-brasileira nos
currículos da Educação Básica, cujo objetivo é reconhecer a cultura negra e a
contribuição dos povos africanos para a construção do Brasil, além de combater
o preconceito racial.
Inclsive, a
Universidade Federal do ABC (UFABC) incorporou no curso de formação de
professores, a afromatemática, ,
trabalhando temas como geometria a partir da cultura africana; história da
afromatemática, fractais africanos, entre outros.
A nossa protagonista hoje tem
nome, Consciência Negra, um termo
que ganhou notoriedade na década de 1970, no Brasil, em razão da luta de
movimentos sociais que atuavam pela igualdade racial, como o Movimento Negro
Unido. O termo é, ao mesmo tempo, uma referência e uma homenagem à cultura
ancestral do povo de origem africana, que foi trazido à força e duramente
escravizado por séculos no Brasil. É o símbolo da luta, da resistência e a
consciência de que a negritude não é inferior e que o negro tem seu valor e seu
lugar na sociedade.
Portanto, o
dia da Consciência Negra é para ser comemorado sim, pelas conquistas alcançadas
por este povo que tanto sofreu, mas é principalmente um dia para refletirmos
sobre a nossa função como membros cidadãos de uma sociedade que reproduz o
racismo diariamente.
Assim, fizemos
a nossa abertura com a música infantil Black Black, com a
participação especial de Sara, filha de Aline e neta da nossa querida
funcionária Liá.
APRESENTAÇÃO DE DANÇAS
Na sequência, as apresentações
de danças marcaram o evento, primeiramente com a música Pantera Negra Deusa, interpretada por Daniela Mercury , que homenageia a diversidade étnica e cultural do Brasil e
da África, relembrando as origens
africanas do ser humano.
Depois vimos a coreografia com a toada denominada Consciência Negra
(Boi Garantido) interpretado por Paulindo Du Sagrado, evidenciando o
processo de ascensão pela consciência que se trata de dois legados: a sabedoria
e o discernimento de cada estágio até os nossos dias.
Dando continuidade, veio a
música Ilê Pérola Negra interpretada por Daniela Mercury, que basicamente
elogia a riqueza da cultura afro-brasileira, principalmente a oriunda da
Bahia,o que é percebido na clara referência feita ao bloco-afro Ilê Ayê.
Em seguida a música Protesto do Olodum / Tatau e Paulo Moçambique,
retratando o período no qual a região do Pelourinho da Cidade de Salvador,
Capital da Bahia, estava passando um período de degradação.Retrata ainda a seca
da Etiópia em paralelo com a seca do Nordeste(em algumas vezes tinha dinheiro,
mas devido à seca não conseguia comprar água e pão) , a poluição de Cubatão, o
pelourinho(coluna de pedra ou de madeira, colocada em praça ou lugar central e
público, onde eram exibidos e castigados os criminosos), a luta, a prostituição
no Bairro Pelourinho, o preconceito, a
saudação a Nelson Mandela.
Agora é a vez do mix,
incluindo maculelê, onde observaremos uma mistura de ritmos, com evidência para
a música Dandalunda de Margareth
Menezes e da dança, Maculelê.
Maculelê é
uma manifestação cultural oriunda da cidade de Santo Amaro da Purificação –
Bahia. É, atualmente, uma expressão cultural, uma dança folclórica brasileira,
com raízes africanas e indígenas, que simula uma luta tribal usando como arma,
bastões de madeira. Assim, o corpo era utilizado para a fuga, para a luta e
principalmente para a dança.
Enfim, tanto
nos movimentos da dança, quanto nos movimentos dos bastões é perceptível a
presença da Matemática ,da geometria, com formação de ângulos, retas,
circunferências, triângulos,etc.
Chegou a hora de encerrar as
apresentações de Ciências Exatas, e para isso veremos a APRESENTAÇÃO DE
CAPOEIRA X MATEMÁTICA, ao som da música “Sim, sim, sim, zum,zum zum”, através
da qual os alunos darão uma definição de capoeira, fazendo um link dos
movimentos da capoeira, com a Matemática, especificamente, com a geometria. Nada
mais justo do que fazer uma conexão com a capoeira através da dança ao som da
música “GINGA” interpretada por Iza, onde o som do berimbau é evidente, um instrumento
característico da capoeira e muito importante para a cultura negra, sinalizando
a resistência e força .A música nos dá a ideia de superação e empoderamento,
remetendo os cantoreios de religiões de
matrizes africanas.
Prosseguindo com os trabalhos, um grupo de alunos fez uma exposição de dados estatísticos, cujos dados informados foram adquiridos através da internet com foco da PNAD – Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio do IBGE, até 2021, pois o CENSO está sendo realizado neste ano de 2022.
Iniciando com informações a
nível mundial, até chegarmos ao nível municipal, o número de habitantes no mundo 7,8 bilhões e
desses 7,8 bilhões, temos 1 bilhão de
pessoas na África, que corresponde a 15% .
Não foi possível identificar a
porcentagem da população negra mundial, mas através de uma postagem no site da
Fundação Cultural Palmares, a ONU (Organização das Nações Unidas) publicou que
150 milhões de afrodescendentes vivem hoje na América Latina e Caribe.
A nível nacional e para
efeitos de comparação, vamos mostrar o percentual de:
População que se declara
branca no Brasil: 43%
Percentual de pessoas
autodeclaradas pretas: 9,1%
Pessoas autodeclaradas pardas:
47%
População Negra no Brasil:
56,1%
Vocês podem observar que uma
porcentagem muito baixa se declara como preta, diferente da cor parda.Esses
56,1 da população negra, é o resultado da soma das pessoas pretas(9,1%) com as
pardas(47%)
A Região Brasileira que tem a
maior população preta: NORDESTE, com 11,4%
O Estado com maior
concentração de pessoas pretas: BAHIA, com 21,5%
A Cidade Brasileira que tem com maior população preta: SERRANO/MA,
94,5%
A População preta da nossa
cidade,Pedrão/BA: 92,5%
Outras cidades: Terra Nova/BA:
93,2%
Teodoro Sampaio/BA:
92,6%
Salinas da
Margarida/BA: 92,15
Outro dado importante está
ligado a violência racial,que continua sendo um grave problema no país, segundo
o 16º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Negros são a maioria das
vítimas de crimes violentos no país.
Vejamos:
Mortes violentas
intencionais(homicídio doloso, latrocínios, lesão corporal seguidos de mortes
por intervenção policial): Negros: 78% Brancos:
21,7%
Mortes pela polícia- Negros:
84%
Em relação ao ano de 2020 que
era de 78,2%, o número de mortes cresceu 5,8% entre os negros e caiu 31% entre
a população branca.
Mortes por armas de fogo:
vítimas negras: 78%
Vítimas não negras:
21%
Vítimas sem
identificação: 1,2%
E assim concluímos a
apresentação de dados estatísticos. Sabemos que existem outros dados que
poderiam ser mostrados, mas foram escolhidos os mais relevantes.
OFICINAS
OFICINA 1: Torneio com o JOGO DE TABULEIRO AFRICANO -QUEAH (vencedor receberá um prêmio Caixa de som)
Queah é um jogo de
estratégia abstrata da Libéria, mais especificamente da tribo Queah. É jogado em
um tabuleiro inclinado
com apenas 13 casas.
Esta oficina foi
supervisionada pelo Professor Anderson.
OFICINA 2: “VENHA CONFECCIONAR SUA BONECA ABAYOMI”- (depois foi feito um varal, no pátio, com as bonecas)
A boneca abayomi foi criada para as crianças, jovens, adultos
na época da escravidão. As mulheres negras as confeccionavam com pedaços
de suas saias, único pano encontrado nos navios negreiros, para acalmar e
trazer alegria para todos.
OFICINA 3: A ARTE DE FAZER ACARAJÉ
A oficina de acarajé ensinará
as técnicas de preparo, escolha e beneficiamento do feijão, armazenamento e
serviço. Os alunos aprenderão bater a massa, como modelar e fritar o acarajé.
Ao final, teremos degustação dos produtos confeccionados em aula.
Esta oficina
será ministrada pela funcionária Maria José (Del).
E aqui, finalizamos os nossos trabalhos, com muito orgulho em ver tudo muito organizado, bonito e com a certeza de que nossos estudantes aproveitaram o máximo, participando e adquirindo conhecimento.
EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS
A exposição foi composta por fotos de alunas da escola, sob a coordenação da Profa Arleide Farias.

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